sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Artigo do jornal Expresso Ilustrado, 30 de agosto de 2013 - Dormir, dor minha - por Giovani Pasini

Dormir, dor minha.


Dormir é muito chato. Quando somos crianças, deitar é um grande castigo. A minha filha Amanda, por exemplo, está com a mania de chorar na hora que vai deitar, seja às 21, 22 ou 23h. Ontem eu disse: “Amanda, quer parar de chorar! Não adianta, a hora que eu te mandar dormir, seja qual for, você ficará de manha...” A realidade é que toda a criança não gosta de pegar no sono. O mundo deles é o “agora”, estão pouco se lixando para cansaço, futuro ou sonhos. Dormir é muito bom. Quando ficamos adolescentes – (Ah! A juventude...) – na adolescência os hormônios deveriam se chamar “cama”. Assim que vamos ficando mais velhos, contudo, o sono volta a ser um tipo de castigo, uma punição. Nessa madrugada, por exemplo, acordei por volta das 3 da manhã. Sei lá! Não eram problemas; nada grave. Fiquei remexendo na cama; repensei boa parte da semana; até que levantei e fui para a sala. Admito, caro leitor, que gostaria de ser rico. Não é uma ambição material ou ego social. Se eu tivesse muito dinheiro, penso que dormiria menos. No mínimo, diminuiria o sono noturno. Confesso-me um “notívago” – adoro o silêncio e todas as suas ramificações escuras ou introspectivas. Adoro a lua e o vento da noite. Sei que tenho que dormir. Descansar. Dar aula de literatura no dia seguinte, outro grande prazer. A insônia tem algo de ludicidade, somente quando a outra jornada está no travesseiro. Se eu tivesse grana, só dormiria para não ficar louco. Cecília Meireles escreveu que “A vida só é possível reinventada”. A cama só é possivel “(re)encantada”. Descansar é bom, após o almoço. Na presença das estrelas, o melhor é voar. Dormir: dor minha.

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