quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Enterro antigo, por Oracy Dornelles

Oracy Dornelles


ENTERRO ANTIGO
  
Sem carro fúnebre, sem lâmpadas elétricas como velas, (mas 4 velas, mesmo),  com um "cortejo" de umas 6 pessoas, seu caixão de indigente foi conduzido de sua casa, ao lado da Ponte Seca, onde morava com sua irmã, ao Cemitério Municipal, a pé(!), pelo Danilo Andreta, Fávio Caldeira, o taxista Camargo, (Galinheiro), por mim e mais umas 2 pessoas que não recordo o nome  agora. Foi em 15-junho-1950.Todas as despesas fúnebres, como caixão, indumentária, foram custeadas por um  advogado local, para o qual o morto havia trabalhado um tempo como secretário. Esse  advogado, (B.L.), não quis ir ao  enterro por  motivos emocionais, mas arcou com toda as despesas  do funeral, como um bom cidadão que era. Antes de dar-se sepultura ao corpo, eu pedi para que o caixão fosse aberto, porque eu tinha feito uma Oração Fúnebre para ser lida na ocasião, o que foi feito. Em seguida o féretro foi colocado na sua última morada: na Carneira no. 37, no muro do Cemitério local, exclusivo para os indigentes mortos na extrema miséria. O nome desse morto era o poeta FILINTO CHARÃO!!!  
(Oracy Dornelles)

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