sábado, 14 de setembro de 2013

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 13 de setembro de 2013 - Grande céu, amplo chão

Grande céu, amplo chão
Em homenagem à Semana Farroupilha

Lugar bonito, nós espalhamos como fofoca: os pastos nascem verdes; as colinas se estendem feito ondas de marola; o cheiro de terra marrom cutuca as narinas; o céu é tão alto que facilita a respiração. Temos um amor juvenil pelo solo onde nascemos. Quem vem de longe, não compreende, a não ser que esteja arraigado espiritualmente ao próprio berço. Todavia, o amor que sentimos não deve ser exclusivista, tampouco separatista, nem fanático. Não. Tentar dividir foi uma coisa do passado e, por mais que sejamos iludidos, o passado nunca retornará – até pelo motivo que ele só existiu enquanto era presente, real, como nos dizia Santo Agostinho. O futuro também não existe, pois só ocorrerá quando finalmente for presente. Tudo é novo e único. Por qual motivo, então, devemos exaltar os feitos farroupilhas (1835-1845)? Por que enaltecer o dia 20 de setembro de 1835, quando iniciou a Guerra dos Farrapos? Volto, nessa crônica, a falar sobre a terra que já existia na época de Gumercindo Saraiva, quando ele tombou no Capão da Batalha, lá no Carovi, já na Revolução Federalista (1893-1895). A mesma terra de Caio Fernando Abreu, quando ele partiu chorando, ou sorrindo, rumo a Porto Alegre, aos 15 anos (1963). A terra é a mesma. A beleza, a compreensão do belo, é um conceito individual, subjetivo. O nosso Rio Grande é lindo, pois está dentro de nossos olhos gaudérios. A Semana Farroupilha, para alguns, seria uma comemoração injusta, por fazer apologia à separação. Contudo, ela é mais forte do que isso. Essa tradição faz parte de nosso sangue e borbulha na alma. Ela compõe a construção da nacionalidade e da cultura brasileira: céu, sol, sul e baita chão.

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