sábado, 19 de outubro de 2013

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 19 de outubro de 2013 - Sem saber, sem falar - por Giovani Pasini


Sem saber, sem falar

Você acha que conhece muito do mundo? Pensa que sabe o bastante para ensinar coisas aos outros? Besteira. Quero dizer, bobagem que acompanha a nossa arrogância, durante toda a história da humanidade. Está na moda, novamente: saber muito, conhecer nada.  Besteira contemporânea. A verdade é que a maior informação é a que está fora de nosso cérebro, pairando na transcendência, no virtual, aguardando uma sintonia particular. Aprendemos e esquecemos. Esquecemos e aprendemos.  De tanto estudarmos, pesquisarmos, parece que o “quebra-cabeça” do mundo vai se juntando. Outra loucura... A vida é um furacão de surpresas. Viajar causa mais tumultos mentais. Viajar para longe da própria cidade, por turismo, cultura ou aventura, confunde ainda mais. Quando saímos da “panela”, daquela rotina diária, ficamos perdidos nos conceitos. É o estranhamento aos costumes alheios e a bagunça que a cultura do outro causa no nosso raciocínio binário (trabalho, casa – ou – ralar, descansar). Não somos ninguém, perante os bilhões de indivíduos que povoam a terra. Quero dizer, somos muitos, mas também “estamos” num único “eu” que existe, na formatação que atingimos, em cada ego incomparável. A nossa igualdade está na diferença (Paulo Freire). A nossa sanidade pode ser loucura. Principie pelas fronteiras dos países: elas não existem; as divisas são imaginárias. Contudo, nós, macacos, adoramos qualquer tipo de fanatismo: futebol, política, religião... Não sabemos quase nada; mas no rompante de primatas, urinamos para demarcar o terreno conquistado. Somos feras em pele de selvagens. Usamos da politicagem, nesse Império, para combater a inteligência. Sem saber, sem falar. Diversidade é a palavra de libertação.

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