sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 10 de janeiro de 2014 - Crônica da madrugada - por Giovani Pasini

Crônica da madrugada


Madrugada. Os pingos da chuva batem na janela. Escuridão na noite, brilho na mente. O sono foge junto com as férias. O que dizer para o leitor? Chega-me uma frase longínqua, lembranças da meninice: “Honrar o fio do bigode!”. Poucas palavras, mas que dizem muito. Trabalhar honestamente, preservando o sobrenome; nunca deixar marcas negativas numa palavra empenhada; uma promessa afiançada deve ser mantida até a última instância. Quem tem mais de 30 anos, com certeza já escutou esses dizeres. Parece-me um saudosismo, que sempre soa como pessimismo, quando desnudamos a alma. Não temos mais a esperança no futuro? O futuro não existe. A realidade é que temos que modificar o que tocamos. Somente isso existe, o resto é imaginação midiática. A magia está em acreditar na nossa redoma espiritual: o escudo impenetrável para a corrupção. Se vender por dinheiro? Por qual motivo? Amanhã ou depois estaremos num caixão, debaixo de palmos de terra. Isso também não é pessimismo, mas realidade. A consciência possui um valor que não tem preço; não existe bem material que pague a liberdade de poder dizer: isso nunca me atingiu! Como os antigos, honramos o fio do bigode. Silêncio na noite, barulho no cérebro. No relógio do computador marcam 04h34min. A chuva parou. Que bom que minha insônia é somente por causa das férias. Espero que você possa repetir comigo... Liberdade! Acho que vou para a cama, pois daqui a instantes começará a raiar mais um lindo dia e tenho gramíneas verdes para brincar.

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