quarta-feira, 30 de abril de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 25 de abril de 2014 - Maria Corseti - por Giovani Pasini

Maria Corseti


Maria Corseti é daquele tipo de pessoa que entusiasma o seu interlocutor. Tanto quanto o Sr. Jorge, do ponto de táxi da Rodoviária, ela conduz a sua atividade de trabalho de forma espontânea, com uma força de vontade que chega a alegrar os olhos e o coração. Conversei com a Dona Maria por alguns minutos, poucos talvez, em virtude da minha atribulada vida de professor militar. Contudo, ao experimentar o gosto de sua arte – uma bela refeição de gastronomia singular – percebi que a energia direcionada para coisas boas produz frutos únicos. Do fundo do pátio de minha casa, aqui em Santiago, eu percebia a Sra. Maria Corseti cozinhando com uma agilidade de 20 braços, concentrada no que fazia. Naquele momento, eu me perguntava como alguém poderia construir daquela forma, sem derrubar nada. Pensamento natural de quem é desligado, avoado e que usualmente esbarra em objetos. Melhor ainda, a Sra. Maria “deslizava” pelos utensílios com tamanha agilidade e, além disso, com efusiva alegria. Dom, só pode ser isso. Leonardo da Vinci deveria ser assim, penso eu, quando criava as coisas. Caro leitor, não tenho como fugir de teorizar um pouco: numa sociedade quase perdida, onde ‘ostentar’ se torna mais importante que ‘valorar’, ainda temos pessoas como Jorge e Maria. Indivíduos que vão na contramão das ‘pragas’ da história, que às vezes aparecem na televisão. Jorge e Maria, cidadãos que trabalham honestamente e representam a essência de nosso povo. Tive muito orgulho, uma honra, de apreciar os vários quitutes de uma senhora que conheci pouco.  Entretanto, mais do que a sua culinária, a Dona Maria Corseti renovou as minhas energias de pessoa que, mesmo não sabendo se está totalmente certa no mundo, sempre sonhará com um mundo certo. Ideologia é sangue. Vida é arte.  Dona Maria, competência é alma.

2 comentários:

  1. Gostei de ler e posso acrescentar que aqueles que conseguem ver estas qualidades também já se encontram num estado superior de conhecimento da vida.
    Devemos estar atentos ao que se passa à nossa volta e ao mesmo tempo sabermos colher as verdadeira lições.
    Cada pessoa deverá fazer os seus trabalhos com amor e alegria- O fruto de um bom trabalho é compensador.

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    Respostas
    1. Grato Luís Coelho!

      A nossa sociedade precisa, de maneira geral, retornar a valorizar mais os componentes de instituições morais perenes: família, trabalho, honestidade...

      Estamos numa época que "ostentar" vale mais do que "sentir". Parecer é mais importante que ser.

      Essa senhora é um exemplo para a nossa vida.

      Obrigado pela participação!

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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