quarta-feira, 14 de maio de 2014

Artigo do Jornal Expresso - 9 de maio de 2014 - Gangorra - por Giovani Pasini

Gangorras


Cheguei à conclusão de que a vida é uma gangorra. Algumas vezes estamos embaixo, outras lá em cima. Penso que não devemos nos preocupar com o sucesso ou fracasso. Trabalhando, estudando, o sucesso será atingido, de alguma forma. Até pelo motivo que a “sensação de sucesso” é individual, subjetiva. Não estou falando da ostentação que vemos no facebook. Refiro-me à busca da plenitude, daquela impressão boa, quando sentimos que estamos fazendo o que gostamos. A “paixão” é que move o mundo; ela é que movimenta os nossos sonhos. Não somos perfeitos, nem nunca seremos. Algumas pessoas não gostarão da gente, independentemente do quanto pacatos formos. A violência, infelizmente, faz parte da história da humanidade. A ferocidade está arraigada no subconsciente coletivo, na podridão sociológica do “olho por olho, dente por dente”, da antiga lei de Talião. Temos muito o que aprender. Como indivíduos – cidadãos – e como sociedade.  Será que a falta de consequências judiciais, sem penalidades efetivas, estão nos transportando para a idade da pedra? Onde estão os valores, a educação, a família? Quais os exemplos que queremos para os nossos filhos e netos? Que país é esse, que faz justiça com as próprias mãos? Povo selvagem, que retorna à mais primitiva das civilizações. Somos ignorantes e acéfalos. A vida e a história são duas gangorras. Na idade média, queimavam-se livros por causa da fé. No século XX, as ideologias é que criavam labaredas nas almas. Nesse novo milênio, o Brasil está no limite mais inferior daquela gangorra, que chamamos de civilidade. Reflexo da péssima educação que, de maneira geral, vemos nessa sociedade decadente. No dicionário, brasileiro é apenas um sinônimo de voto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...