sábado, 9 de agosto de 2014

Artigo do jornal Expresso Ilustrado - Piruetas - 08 de agosto de 2014 - por Giovani Pasini



Piruetas

Muitas vezes, caro leitor, não adianta gritar para o mundo. O mundo, geralmente, não te prestará a atenção (Oswaldo Montenegro). Mas gritamos e pedimos socorro. Lamentamos, esquecendo que cumprir o caminho não é a mesma coisa que sofrê-lo. O pior de tudo é que nós sofremos demais, choramos demais. As ‘pedras do caminho’ doem mais do que deveriam, pois supervalorizamos os obstáculos e esquecemos as soluções. Uma das saídas para as piruetas da existência é reestruturarmos a própria conduta. A alteração da postura, diante das dificuldades, irá modificar as consequências. Deu algo errado? Esqueça. Nada será como antes. Mas, sinceramente, o antes foi realmente ‘esse’ antes? Descer até uma solidão profunda, no meio de felicidades rasas, nos faz pensar na existência do céu e do inferno. Decida sempre pelo inferno real – com fogueiras que poderão ser apagadas – do que escolher um paraíso imaginário, distante. Levante a cabeça e, no próximo verão, tome um banho de chuva. A liberdade deveria ser contada, sim, pela quantidade de banhos de chuva que tomamos. Eu trocaria dez anos de vida por dez chuvas sem raios, naquela época de criança. A infância já foi e vivemos tempos de frio. A água, contudo, bate nas telhas e escorre pelas canaletas da janela. As vidraças ficam marcadas, com milhares de gotículas que relembram as piruetas de menino, diferentes dessas de adulto: a gangorra abaixa, mas não se importe, um dia ela te levantará. Viva cada segundo, no sobe e desce dessas antropofagias.

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