terça-feira, 4 de novembro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 31 de outubro de 2014 - E o DIABO foi feito... - por Giovani Pasini

E o DIABO foi feito...


Em 2012, tive a oportunidade de morar em Recife, no Pernambuco. Uma das minhas maiores experiências foi a de fiscalizar a distribuição de água, Operação Pipa, na cidade de Cumaru - PE, o município com a pior renda per capita do país. Lá, caro leitor, as pessoas construíam casas com madeiras da região e com barro seco (casas de taipa). Lembro que quando passava pelas residências que possuíam cisternas (caixa d’água subterrânea), com o objetivo de analisar a distribuição, a população me tratava como deus. Confesso que ficava até encabulado. Dizia e insistia, para eles, que a água estava sendo distribuída pelo Governo Federal. Um senhor desdentado, cuja altura batia no limite do meu peito, disse: “Não importa moço, vocês são uma bença”. Os nordestinos não possuem culpa de nada. Eles possuem a miséria. Eles ainda necessitam de um ‘salvador da pátria’. O reflexo da votação que reelegeu a presidente não pode ser atribuído ao povo nordestino, pois aqui no RS ela teve quase 50% dos votos. Chega de xenofobia. Não podemos questionar a legalidade do pleito, ocorrido no dia 26 de outubro. A voz do povo é a voz de deus. Quero dizer, desde que tenha sido algo legal, honesto. Sobre isso, complemento que não confio no sistema eleitoral brasileiro, que pode deixar margens para o ilícito. Diversos são os técnicos especializados no assunto, que afirmam a mesma coisa. Tenho o direito de não confiar e penso que qualquer cidadão pode julgar o mesmo. Arrisco-me a lançar a previsão de que se o Brasil não se unir, continuaremos com uma desagradável ‘luta de classes’, tão ridicularizante que nos leva de volta ao final do século XIX. Será que estamos num ‘delay’ da história? Nós, brasileiros, estamos voltando para a insana opressão aos direitos do outro? Mudemos de atitudes, ou entraremos num período negro: a odiosa luta de classes. O diabo já está feito.

2 comentários:

  1. As riquezas de um país são o seu povo e as suas raízes.
    Os bens materiais devem ser distribuídos por todos e não apenas por alguns.
    A água é um direito de todos nunca se poderá fazer negócio com ela.

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    Respostas
    1. Grato, Luís Coelho!

      Obrigado pelo comentário.

      O nosso povo - penso que talvez o do mundo - precisa de líderes.
      O humano, de origem humilde, tende a buscar líderes ou salvadores da pátria.
      A pobreza no Nordeste é bem pior que a do Rio Grande do Sul - tenho certeza disso!
      As necessidades básicas (mínimas) são direitos do povo e um dever do estado.
      Não deveriam ser políticas de partido - ou de governos de partidos.
      Como dizia Carlos Drummond, num dos seus poemas:

      "Vivemos numa época de partidos.
      De homens partidos."

      Abraço

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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