quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 23 de janeiro de 2015 - Demodé - por Giovani Pasini



Démodé

Hoje irei escrever sobre um sentimento piegas, um tanto démodé. Resumindo, fora de moda. O que está em desuso, que ficou no passado? Sentimentos importantes, que víamos nos nossos pais, na década de 80. Estou falando de cidadania, de patriotismo, de nacionalismo. Antigas demonstrações positivistas, importantíssimas, que favorecem o altruísmo, de procurar o bem do próximo. Um cidadão consciente, num pleonasmo intencional, é aquele que sabe muito bem os limites entre direitos e deveres. Limites. Talvez o leitor pense que estou forçando uma redação moralista, mas não estou. Na realidade, o que tenho é uma descrença exacerbada no futuro de nosso país. O gigante dobrou os joelhos e engatinha rumo ao abismo. Aquela nação gloriosa, que sonhamos no passado próximo, está cercada de lama por todos os lados, até o pescoço. O que vemos, na pátria de Olavo Bilac, é algo que ofende a inteligência de quem adquiriu um pouco de liberdade para pensar. Assistimos, atualmente, a um presente repartido, dividindo a sociedade em classes e subclasses. Extratos sociais que se odeiam e, constantemente, passam a se ofender, utilizando as redes sociais. A democracia brasileira é frágil, adoentada, consequência de um populismo para ignorantes. O pior é que o fanatismo contagia e se propaga, parecendo um vírus. O ebola brasileiro – culpa de uma justiça capenga, de um legislativo egoísta e de um executivo corrupto – é o reflexo de uma representação da nossa sociedade doentia: “eu recebendo ajuda, o resto é que se dane!”. O barco, do lado de cá e de lá, está afundando.

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