terça-feira, 30 de junho de 2015

Artigo do jornal A Razão - 24 de junho - Consciência à brasileira - Giovani Pasini

Imagem digitalizada - Artigo Jornal A Razão - 24 de junho


Consciência à brasileira
Giovani Pasini
Escritor e Professor de Literatura

O sentimento de justiça ou de injustiça é deveras subjetivo. O que é injusto para um, pode parecer o mais correto para outro. Entretanto, a consciência deve ser a primeira lei de nosso caráter. Há cerca de um século, no Brasil, surgiam os murmúrios modernistas que resultariam na consecução da Semana de Arte Moderna (1922)

Ao leitor novato, inexperiente por idade ou por falta de leitura, talvez esse ano pareça um tanto distante. Não, não está. Na verdade, entre lá e aqui, permanecemos na mesma imobilidade pensativa. Ainda temos uma elite vegetal, sem propósitos, de cultura enlatada e superficial. 

Obviamente, muita água rolou por debaixo dessa ponte. Tivemos a Revolução de 30, a ascensão de Getúlio, a 2ª Guerra Mundial, os governos militares (1964 -1985) e tanto mais que poderíamos escrever por horas. Não vamos. Mas queremos deixar claro que a história nunca se repete, os erros sim. Novamente, neste país, as ideologias estão fanatizando os ideólogos. Quando tal fato ocorre, a consciência individual e coletiva fica prejudicada. Os fins passam a justificar os meios e o extrato social (ou classe) retoma uma importância maior que o respeito às singularidades de cada cidadão. Muitos formadores de opinião atestam que falta de segurança ocorre pela justiça lenta, ou pela maioridade penal desregulada. Pode ser o sintoma, mas não é a causa principal de nossa doença. 

O calcanhar de Aquiles dos brasileiros reside num imaginário social leproso. Eu poderia cair no discurso da importância da educação. Irei simplificar com a palavra “valores”, tão démodé, que se tornou algo brega. Cantar o Hino Nacional é coisa do passado. Reverenciar instituições (família, igreja, estado etc.), tão vilipendiadas, tornou-se sinônimo de conservadorismo senil. Esquecemos, num senso comum adoentado, que as fronteiras são essenciais para uma boa convivência. Não pelo fato de “limitarem”, mas pela fundamental construção de uma personalidade cidadã que saiba – carinhosamente – coexistir com as diferenças do outro. O que nos falta é a noção de solidariedade e de transitoriedade terrena. 

Óbices da consciência à brasileira. 

Não proponho política, “Deus me livre!”. Sugiro que se comecem os burburinhos da Semana de Arte Contemporânea, de 2022. Por que não em Santa Maria da Boca do Monte?


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