quarta-feira, 8 de julho de 2015

Artigo do Jornal A Razão - 8 de julho de 1015 - Maracanaços

Esse artigo, publicado exatamente após um ano da derrota do Brasil para Alemanha por 7x1 (8 de julho de 2014), curiosamente foi planejado sem atentar que seria lançado no dia 8 de julho de 2015.

Coincidências literárias...



MARACANAÇOS
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

No Brasil, o senso comum tem poderes maiores do que os de filósofos.
Maracanaço foi um termo criado em referência à partida que decidiu a Copa do Mundo de 1950, onde o Brasil perdeu para o Uruguai, por 2x1. Naquela época, o povo brasileiro ficou totalmente arrasado. Cerca de 60 anos depois, foi a vez do Mineiraço, apelido que definiu o vexame da nossa derrota para a Alemanha, por 7x1, na semifinal da Copa de 2014. Novamente o país chorou. Voltamos a reforçar o nosso complexo de vira-lata.
 Essa expressão, complexo de vira-lata, foi criada por Nelson Rodrigues, após a derrota da copa de 50, para definir o sentimento de inferioridade que o brasileiro se coloca, voluntariamente, diante do resto do mundo. Para ele “O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.
Quem gosta de futebol, tem de enxergar a realidade nua e crua: só aqui na América do Sul existem três ou quatro seleções melhores do que a nossa. Precisaríamos de treinadores argentinos? (Os colorados que não me escutem). Talvez, quem sabe, necessitemos de uma motivação chilena?
Cabe ressaltar que, da forma como está, existe a chance concreta da seleção brasileira não se classificar para a Copa de 2018.
Agora, neste instante, o meu artigo fugirá do futebol e irá para o senso comum, o mestre dos filósofos nacionais: tanto quanto no futebol, o nosso país não é sério (Charles de Gaulle), pois somos bonachões. Bobalhões. Abestalhados. Teríamos mesmo um complexo de vira-lata?
Faço uma inversão do que disse o Nelson Rodrigues, ao menos para o Brasil contemporâneo: não temos mais somente um complexo de vira-lata – o que somos, na verdade, é a imagem expressiva de um “vira-lata complexo”. Um guaipeca que merecia ser internado num manicômio social ou, ao menos, ter uma consulta frequente com um psiquiatra.
Ainda virão muitos maracanaços para entendermos que a seriedade vale mais do que o jeitinho. Que o patrimonialismo corrupto é algo vazio, tosco. Que é muito melhor viver entre pulgas e poesia, do que ser engolido por moedas fedorentas.
Nunca seremos santos, isso é fato!
Mas, seria interessante fugirmos de prostituições ideológicas e financeiras. O senso comum só será modificado pelo bom senso.
Afinal, todo brasileiro é um técnico de futebol. Ai! Volta-se ao senso comum...



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