segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Artigo do Jornal A RAZÃO - Os quatro elementos - Giovani Pasini


OS QUATRO ELEMENTOS
(continho Boca do Monte)
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

TERRA fria, noite escura. Agachado diante da lixeira verde, numa rua escura de Santa Maria, Márcio Ortiz sente fome. Com uma força surgida do sangue, do espírito, mas de estômago vazio, ele resolve levantar daquele chão gelado, consequência dos terríveis ocasos de agosto. Tosse. Tosse. Tosse.

 (...)
Era a quarta vez que tossia, apenas nos últimos minutos. O AR entrava nos seus pulmões, com ardência terrível. Estava novamente fraco. A fraqueza dominava quase todos os seus pensamentos e dilacerava a sua carne. Sentia fome. Sentia sede. Sentia frio. Estava cansado de tentar sobreviver numa sociedade tão difícil. Opressão selvagem.

 (...)
Lembrou que tomou ÁGUA apenas no início do dia. Recordou que o líquido desceu pela garganta e saciou uma das necessidades fisiológicas essenciais ao homem. Em pé, deu alguns passos e, cambaleante, alcançou a lixeira. Encostou a mão direita na grande lata verde(-gelo), o conhecido contêiner e sentiu a maciez gélida do metal, exposto às intempéries do inverno. Márcio Ortiz pensou: (...)
“Será que essa lixeira terá restos de comida? Será que acho alguma lata de refrigerante com um pouco de bebida? Tomara, pelo menos, que ela tenha pedaços de madeira. Colocarei FOGO nos gravetos e papéis; aquecerei a minha carne. Dormirei tranquilo, até que a nave do infinito me leve para junto dos preás gordos, da cadelinha Baleia e de um Fabiano companheiro. Principalmente, serei carregado para aquele sertão quente – sem esse frio terrível – e suarei bastante! Suarei na devida proporção de nossas Vidas Secas. ”
Márcio Ortiz ainda não sabe e jamais saberá... Mas ele nunca perecerá!

 (...)
O fim? Ele não existe. Nós, mundanos medíocres, continuaremos a reclamar que o time de futebol não está jogando bem...  Nós, mundanos medíocres, engolimos a alma da Santa Maria.
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PS: Esse artigo foi construído numa oficina literária sob a orientação do escritor gaúcho Alcy Cheuíche. O exercício utilizou os quatro elementos (terra, ar, água e fogo) e quatro tempos verbais, separados pelas reticências. Cada parágrafo possui, predominantemente, um tempo verbal: o presente; o pretérito imperfeito; o pretérito perfeito; e o futuro do presente.
Cabe ressaltar que Alcy Cheuíche estará na Biblioteca Henrique Bastide (Largo da Locomotiva), no sábado, 15 de agosto, 17h, lançando o livro “O Farol da Solidão”. Vale conferir!

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