quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Artigo jornal A RAZÃO - 5 de agosto de 2015 - MALABARISMOS


Malabarismos
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Ando pelas ruas de Santa Maria e vejo a vida passando.
Olho as fisionomias dos diversos transeuntes e um, especialmente, chama a minha atenção. Entre todos, ele me parece ser o de mais energia: um senhor de idade avançada, portando um rádio AM/FM antigo, envolto pelo braço. A sua pele morena, na praça Saldanha Marinho, é submersa pela fumaça de um cigarro de palha, que também ostenta, e pelo som alto de uma música regionalista.
- O RS não tem mais saída! Estamos ferrados! Não tem mais como tolerar! – Grita ele, para um amigo.
Aquele idoso aumenta a minha vontade de conhecer cada vez mais Santa Maria, suas praças, bares, monumentos, restaurantes e, especialmente, suas pessoas.
Penso no contraste desse Brasil – o de Monteiro Lobato – onde passado e futuro permanecem no presente. Dois Brasis: o de ricos e o de pobres. O das Capitais e o do interior. O da comida para sobreviver e o da comida para enaltecer. Malabarismos.
Nós, humanos, tendemos a fanatizar algo, alguma coisa ou alguém: artistas, ideologias, religião, política, futebol, entre tantas ramificações. Uma das origens da expressão “fanatismo” está baseada na palavra fan, ou seja, “fã”.
Fanatismo se opõe à tolerância. Um fanático utiliza de qualquer meio para atingir o seu objetivo, ou o de seu grupo. Mundo “Partido”.
Onde ocorre uma interação –  uma comunicação –  mesmo sem palavras, poderá ocorrer uma discordância. Divergir significa não aceitar argumentações, ou parte delas. Quando alguém diz o que você não aceita, pelo menos ouça! Intolerante é aquele indivíduo que finta a comunicação – interrompe ou ofende – apenas pelo fato de não aceitar o que está sendo dito.
A tolerância deve estar ligada ao respeito, não à subordinação de pensamentos. Tolerar é ato individual; por consequência, torna-se fundamento de determinada cultura, com ações coletivas.
O ódio é uma intolerância potencializada, muitas vezes com apoio de uma coletividade. Observem as redes sociais e as besteiras que alguns radicais escrevem. Nós, brasileiros, adoramos a metáfora do jumento.
Devemos combater ideias e não pessoas. Necessitamos pelejar contra os argumentos, nunca contra carne, ossos e ignorância. Afinal, na cultura tupiniquim, infelizmente, ainda achamos graça dos malabarismos de determinados palhaços, que ainda dominam a nossa atenção.
Tolerância...


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