quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Jornal A RAZÃO - 19 de agosto - "Vai na fé!"

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Vai na fé!
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Dias atrás escutei uma história, numa rádio local, que achei tragicômica.
Era uma reportagem sobre roubo de veículos, na grande Porto Alegre. Segundo os radialistas, esse tipo de crime aumentou consideravelmente nos últimos tempos, em virtude do tráfico de drogas e da crise financeira. No programa, uma senhora enviou uma mensagem contando que, ao ser roubada (assaltante armado), ela ficou apavorada. O motivo do susto, além do crime: a sua filha estava presa numa cadeirinha infantil, no banco de trás do automóvel. Desesperada ela suplicou:
“- Moço, pelo amor de Deus! Deixa eu pegar a minha filha!” – A resposta do marginal foi:
 “- Vai na fé!”. 
Ela retirou a filha do carro e, mesmo perdendo um veículo, inconscientemente falou :
“- Muito obrigada!!!”
***
O grande problema brasileiro, não está nos políticos. Um político é representante do povo, sendo, portanto, integrante desse povo. O pior dilema de nosso país está contido em duas palavras distintas, mas interligadas: educação e ideologia.
De que forma poderemos diminuir a violência?
Atuemos no descompasso social criado por essas duas palavras.
A educação brasileira deve ser repensada. Principalmente, do momento da concepção (ato de prazer e dor), até a fase que a criança chega na escola.
Dentro da escola? Chega de desmerecermos o sacerdócio que é a profissão docente. Não é somente questão de salário, pois a desvalorização da educação brasileira é histórica, sendo uma conjunção maquiavélica, social, coletiva. Os professores necessitam de um melhor tratamento, de maneira geral, seja pelos governos ou pelas famílias. Muitas vezes nós não cuidamos bem de único filho e queremos que uma professora seja a “salvadora da pátria”, com trinta ou quarenta alunos? Educar é ato grupal e a família tem a maior responsabilidade sobre isso. Famílias desestruturadas, nação violenta.
Por isso a ideologia, algumas vezes, é a metáfora do jumento.
Ela pode levar ao fanatismo ideológico e, por consequência, à violência – moral ou física. Paulo Freire nos falou que toda educação é política, o que concordo plenamente. Da mesma forma, penso que dividir o Brasil em extratos sociais é algo perigoso. Não existe classe somente opressora, nem povo apenas oprimido. Todos nós – eu e você – ocupamos momentos de opressor, outros de oprimido. Autonomia é tentar escapar, ao máximo possível, desses dois adjetivos. Sem esquecer, é claro, que sobre os ombros do povo latino pesa a maior opressão, que é a ideológica; em segundo lugar, a econômica.

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