quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Artigo do Jornal A RAZÃO - 09 de setembro de 2015 - Ensaio sobre Santa Maria - para a minha mãe literária: Haydée Hostin



Ensaio sobre Santa Maria
(Para a minha mãe literária: Haydée Hostin)
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Amo Santa Maria, apesar de não ter nascido aqui.
Sou natural de um pequeno povoado, que se estende por sobre uma coxilha, perto de um boqueirão. Sou do berço de Caio Abreu, de Adelmo Genro, da poesia e da canção.
Só que agora também sou Santa Maria. Um município rodeado de bela natureza, definido com a poética alcunha de “Boca do Monte”. Uma localidade quase do interior e, ao mesmo tempo, deveras cosmopolita. Nem tão pequena, daquelas que todos se conhecem; nem tão imensa, onde a alma humana pouco coexiste.
 Santa Maria é única – por ser amante de seus transeuntes – nativos ou temporários. Talvez, quem sabe, a sua magia esteja no belo mundo universitário que possui, de jovens que chegam ansiosos, cabisbaixos, incógnitos, e acabam por construir amizades de vários anos. Nas universidades, pessoas desconhecidas se transmutam em famílias...
Maria Santa sua aura nos acalanta!
Nada melhor que andar pelo calçadão; visitar a Vila Belga; transitar pela Medianeira, fazendo os poucos e ineficientes exercícios semanais. Nada mais agradável que passear de carro por Camobi; quem sabe tomar um café numa livraria e comprar um bom romance; ou percorrer a praça Saldanha Marinho e o mercado popular, para depois reencontrar poetas, em rodas literárias.
Gosto de Santa Maria, pois ela ainda é o meio termo.
Ainda possui aquelas qualidades de cidade do interior, que ninguém contesta: o povo realmente se olha nos olhos. Também não incorporou os horrores e as indiferenças dos grandes centros, com ameaças ao convívio e os temores da simples presença humana.
Admiro essa terra, do fundo de meu coração. Encanto-me pela energia que ela possui, na força de seus cidadãos, ao enfrentar o único obstáculo que permanecerá sempre intransponível. Por isso, a cada dia, também luto. Luto por Santa Maria. Nossa história é escrita em cada esquina, nas subidas e descidas, no entrelaçar de derrotas e vitórias. Nossa história é soletrada em letras jornais, em ressentimentos que não acabam, cicatrizam, e que se perpetuam na mistura de lágrimas, terra e suor. Santa Maria Santa. Meu coração é pequeno; mas nele já cabe o “Coração do Rio Grande”.
Nada como uma terra que não é natal, mas que você acaricia com os olhos.


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