quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - A política brasileira e o mata-burro - por Giovani Pasini



A política brasileira e o mata-burro
Para Paulo Freire: Patrono da Educação Brasileira

Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

O que um colunista que não é especialista no assunto poderia falar sobre política?
A resposta é simples: nada de partidos; falarei apenas de cidadania. Escreverei um pouco e espero que não entendam mal, pois o artigo é apartidário, apesar de não ser apolítico.
No seu sentido amplo, a política é maravilhosa. Ela é a razão do aperfeiçoamento da vida em sociedade, no decorrer da história. A palavra se origina do Grego “politikos” e tem, como uma de suas significações, a “relação de grupos que integram a Pólis – cidade”, ou seja, ela é a interação do outro com o um; e dos dois com a sua coletividade. Paulo Freire dizia que toda educação é política. Verdade. Toda educação carrega um pensamento, uma ideologia.
As ideologias (esquerda, direita etc.) são pensamentos coletivamente construídos, baseados em inúmeras discussões argumentativas. Elas, as ideologias, deveriam ser abalizadas em uma postura de vida, alicerçadas em pensamentos coerentes e em contextos motivados por crenças reais. Uma coisa precisa ficar clara: a ideologia não deve ser questão de negócios. Não pode estar baseada em troca de favores. Nem mesmo deveria ser fanatizada.
Por falar em ideologia: o que, então, estaria errado na política brasileira? Na minha opinião, a nossa ciência política não é verdadeiramente representativa – ela é “rePartida” – representa pequenos grupos, interligados por interesses momentâneos e particulares.
Como assim? O brasileiro, diferentemente da maioria dos cidadãos mundiais, desconhece os termos políticos básicos. Mesmo alguns indivíduos instruídos, permanecem alienados à história de nosso país. A realidade é que somos, na pluralidade, analfabetos de cidadania. E, como os políticos são a nossa representação, também representam o que somos.
Por exemplo, na atualidade tupiniquim, para termos conquistas de cidadania, devemos nos juntar a grupos de interesses, isto é, aos movimentos que defendam parcela do que acreditamos. É claro que não está errado; mas, novamente impera o pensamento fragmentado, de coligações feitas por causas pontuais. Movimentos pontuais. Cidadania pontual.
Além de todo o problema moral que o país enfrenta – desde 1500 – também afrontamos uma dificuldade imensa: a de repartição, da repartição, da repartição, da verdadeira arte política. A parte que defende somente a parcela e, mais frequentemente, a si mesmo. O pior é que toda a tese possui a sua “anti-tese” (antítese).
Qual é o principal problema?
Não é somente dinheiro desviado, mas o ódio multiplicado.
Aí estará o nosso mata-burro. Simples assim.

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