quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Coluna semanal do Jornal A RAZÃO - Democracia: forma degenerada da organização política


Democracia: forma degenerada da organização política
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com


“Nós que consideramos a democracia não só como uma forma degenerada da organização política, mas como uma forma decadente e diminuída da humanidade, que ela reduz à mediocridade, onde colocaremos a nossa esperança? ”
Calma. Calma. Essa declaração não é minha. Foi feita há algum tempo, por Friedrich Nietzsche. Apesar de parecer totalitária, a intenção do filósofo era que pensássemos sobre a democracia, nossa condição, e se ela realmente ocorre. Para ele, a falsa alegação de “igualdade” destrói a democracia, em virtude de ela não existir verdadeiramente. Nietzsche critica a “qualidade” do voto, pois independentemente da condição do votante, cada voto vale um. A democracia é “quantitativa”, tornando-se limitada, desigual e mentirosa.
Segundo Nietzsche, a degeneração ocorre na medida que um voto de uma pessoa despreparada, conduzida por outros, tem o mesmo valor do voto de um indivíduo mais qualificado, consciente da sua posição no mundo. Como existem mais pessoas desinformadas, a democracia privilegiará sempre o que é ruim. Ele se pergunta: a quem interessará isso?
***
Apesar da filosofia nietzschiana ser dura e atacar o conceito da revolução francesa de igualdade (égalité), cabe uma boa reflexão, que trago para nosso país. Somos realmente iguais em direitos e deveres? Quem de nós é votante qualificado? Então, como diminuir a degeneração da democracia brasileira? Qual seria a oposição ao pensamento de Nietzsche?
A única barreira à degeneração da democracia é a educação democrática. Digo isso, pois a lógica da matemática é exata; nós, humanos, seremos sempre inexatos. Não há fórmula de soma (ou multiplicação) para se construir um bom caráter/cidadão.
Paulo Freire idealizava que o humano deveria assumir-se como um ser social e histórico. Como? Tudo passa pela construção de um olhar crítico, de uma consciência “eu-mundo”; de uma cidadania que surge num “insight” libertador. Do nada (nonada), numa manhã qualquer de nascimento empírico, ve(re)mos que não somos passageiros de decisões alheias; que também intervimos na sociedade. Nasce(re)mos maduros, enquanto outros passarão pela vida sendo adultos placebos, carneiros de lamentações.
A democracia brasileira somente irá se regenerar – do carcinoma da corrupção – quando o voto for algo consciente e, mais do que isso, no tempo em que for valorizado como ato único. Essa égalité deveria iniciar na escola, berço das utopias possíveis. Não com a venda de ideologias prontas, mas simplesmente ensinando o aluno a pensar. Afinal, ser democrata é ter paciência, até quase o vômito; e brigar somente se for em busca da utopia de um povo com voto mais qualificado.

Um comentário:

  1. Excelente coluna Geovani. Tema atual e oportuno nesse momento crítico em que vivemos e também por essa forma decadente de relacionamento entre o nosso governo palaciano e o povo explorado.

    ResponderExcluir

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...