quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - 04 Nov 2015 - "Ainda Existe uma Esperança"

 
 
Ainda existe uma esperança
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

     Ainda existe uma esperança.
    Quando a política e a violência parecem querer acabar com os sonhos, surgem situações que iluminam a alma. Quando a economia oprime, a arte é que liberta. Ela, a arte, salva-nos do mundo desumano e ofensivo. Dois fatos importantíssimos, ocorridos na semana passada, comprovam o que digo.
    O primeiro, foi o “Festival da Canção”, do Colégio Militar de Santa Maria, no dia 29 de outubro. Mesmo que correndo, por outras atividades de trabalho, pude observar a música e a sua magia etérea. A música, tão enaltecida por Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Renato Russo, Elis Regina e tantos outros ‘hipnotizadores’ de ouvidos. Vários jovens do Colégio Militar, nas diversas categorias, por uma iniciativa daquela escola, puderam encantar os momentos dos próprios colegas e de educadores. Enquanto ouvia as bandas nativistas ou de Rock, eu pensava: “No meio dessa juventude, aparecerá um novo Raul Seixas? Talvez um grupo como o Paralamas do Sucesso? Ou, quem sabe, um Tim Maia?”.
     Ainda existe uma esperança.
    Outro momento, tão sublime quanto, foi o concerto realizado na sexta-feira, dia 30 de outubro, pelo Centro Social e Cultural Vicente Pallotti. Somente quem estava lá conseguirá verdadeiramente compreender o que digo: assistimos a um Centro que trabalha com muito amor, em prol de crianças de nossa região. Lá, naquele imenso anfiteatro de Santa Maria, percorremos nuvens de liberdade. As crianças dedilharam a nossa alma, utilizando instrumentos clássicos, com vozes de um coral que inundou todos os sorrisos. Parabéns à coordenadora Márcia Batista, ao maestro André Chiomento, a todos os profissionais envolvidos e, principalmente, aos alunos que se empenharam para nos transmitir alegria. O espetáculo “Sonhos” iluminou aquela parte tão importante, escondida dentro de nosso peito, chamada ‘coração’. Não o de carne, músculo pulsante; mas aquele imaginário, que nos leva a olhar para frente. Sempre.
       Ainda existe uma esperança.
     Ela está nessa juventude. Na que anda por colégios civis e militares, que frequenta centros sociais, que ainda tem a vontade de modificar o país. De alterar as reticências da imoralidade, tão atroz na alta cúpula de quase todas as esferas.
      A esperança também está na arte – e em toda a beleza que ela produz – a arte capaz de alterar a compreensão do ‘Outro’, da vida e da necessidade de ser; não somente de ter, ou mesmo de dominar. Enfim, a esperança está no afastamento de si mesmo; para sentir a leveza de várias crianças, que conseguiram silenciar o barulho e sonorizar o silêncio. Sol e som. Esperança.
 
 

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