terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - Falar Mal é uma Arte - 27 de dezembro de 2015



Falar mal é uma arte
Prof. Giovani Pasini
e-mail: professorpasini@gmail.com


Na contemporaneidade, alguns de nós, humanos, aperfeiçoamos uma antiga ‘arte’ – a fofoca. No Brasil, ela quase está se tornando uma nova profissão: o “falador profissional”, de quem irei traçar um perfil. Na nova atividade técnica, quando você quiser denegrir a imagem de alguém – talvez um inimigo – poderá ligar para o celular, pedir pelo “whatsapp” ou entrar na internet e contratar o “fuxiqueiro on line”. Ele o ajudará a enterrar o nome de seu antagonista, por um valor monetário bem ético. Esse mexeriqueiro, por natureza, tem a capacidade de distorcer qualquer fato; aumentar defeitos de outrem; criar rótulos para os desafetos; talvez usar da máquina pública para aumentar a propulsão de maledicência. Ele, o “falador de carteirinha” é capaz de te jurar lealdade, nesta esquina, e na outra dizer a muitos colegas que odeia o teu individualismo mesquinho. Para qualquer um, conhecido ou não, ele é todo sorrisos. Adora utilizar adjetivos, qualificações, sabendo abusar de qualquer palavra que “enalteça” as características de quem pode lhe fazer algum bem. O artista de ‘sebologia’ não guarda mágoas, quero dizer, não demonstra que ficou magoado. Orgulho não gera lucros; é coisa de gente caturra, teimosa, burra. O fofoqueiro é laborioso eficiente... A língua “mater”, portuguesa, é a principal ferramenta de seu trabalho. Ele escorrega pelas palavras, como lesma gosmenta, em busca de uma “proteção de tela” para as falhas no próprio caráter, dentre elas, a covardia. É “Doutor Honoris Causa”, pela universidade da intriga. Conhece mais os vizinhos, do que a si mesmo. Aliás, este é o principal ditado: “Conhece-te ao outro mesmo”. Nessa nova profissão, digo a todos os leitores, tentaram até criar um Sindicato. Não deu certo... Os possíveis participantes falaram muito mal da iniciativa. Continuam profissionais autônomos, na arte da criatividade destrutiva. Brasilidade revolucionária, em linguagem fenecida.

Um comentário:

  1. muitoo bom o texto! descreve perfeitamente algumas pessoas de hoje em dia que exercem essa profissão e não percebem que tal fato ameniza o que elas são e as coisas boas que elas poderiam gerar trabalhando com a verdade, sem distorções.

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