sábado, 19 de dezembro de 2015

Artigo do Jornal A Razão - 18 de dezembro de 2015 - De meu apartamento, uma Medianeira



De meu apartamento, uma Medianeira
Para a professora e escritora Lígia Militz da Costa
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

De meu apartamento ouço, por entre prédios e casas, o barulho intenso da Avenida Medianeira. Ela, tanto quanto o nosso corpo, de manhã e de tarde permanece rumorosa; de noite se acalma, em marcha lenta e sonambulismo senil.
Ah! A Medianeira...Com suas igrejas de Dores e esperanças; local de peregrinações em que espíritos se esquecem de rancores, transformam minutos em séculos e suavizam lágrimas de memórias. Ah! A Medianeira... Com seus mercados, shoppings, rotatórias, postos de combustível e padarias de guloseimas. Ah! A Medianeira... A alameda santeira, dos parques que circulamos, que subimos ou descemos em exercícios ineficazes, na companhia de um templo ou do imaginário Itaimbé (de onde Imembuí encantou todas as estrelas).
Algumas vezes me pergunto: como uma pavimentação dura pode aparentar possuir uma alma tão sensível? Será que posso responder? Não sei. Não sei. Mas me arrisco, nessa imperfeição que são as letras: códigos e símbolos que reduzem o que sonhamos.
Ela, essa linda serpente asfáltica, torna-se carinhosa em nossas idas e vindas, quando vemos pedras e gramíneas, razão apenas que serve de bom pretexto para permanecermos vivos, na eterna briga contra a opressão temporal e biológica. Isso mesmo! Uma pedrinha disforme, caída numa calçada da Avenida Nossa Senhora de Medianeira, já reforça a beleza da vida, contrariamente aos problemas, opondo-se às imperfeições.
A larga Medianeira... Aquela paralela a outra bela!
De meu apartamento, ela se transforma em uma ponte barulhenta, que interliga Santa Maria a diversos municípios. Conexão mental, ilusória, mas que encurta distâncias e aproxima sensações. Ah! Essa formosa avenida... De corpo esguio e trejeitos charmosos, que inebria os viajantes: os que chegaram para ficar e os que passaram para permanecer.
Digam o que quiserem, autores, feitores, ou beija-flores. A vida – aquela que é real – é constituída nos batimentos de um coração figurado e, também, na vivência emotiva dos instantes, aqueles que serão perenes, mesmo quando a carne e os ossos não mais existirem.
Ah! Capilar Medianeira que parece engolir o mundo! Desculpe-me a imperfeição desta prosa poética, uma crônica imigrante. Saiba que você, neste instante, – superior a qualquer rima ou verso – tornou-se amante transcendente a qualquer amada! Já está encravada, nessa alma errante. Foi magia; fez-se fada.

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