sábado, 5 de dezembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - 4 de dezembro de 2015 - Bolinhas Azuis - Giovani Pasini



Bolinhas azuis
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Há algum tempo fui ao banco, com o objetivo de sacar dinheiro.
Na entrada do estabelecimento, uma velha senhora, magra, pedia esmolas para os transeuntes que entravam e saiam do local. Os cabelos brancos contrastavam com a roupa escura, destacando as mãos esquálidas que seguravam uma pequena caneca.
Separei uma moeda de um real, julgando ser o suficiente, para contribuir com a doação. No momento em que me aproximava, antes que ela pedisse algo, um rapaz saiu do banco e impediu, temporariamente, a minha passagem. Num relance, observei-o entregar uma nota de R$ 20,00, como donativo.
Naquele instante, os olhos da senhora brilharam de forma magnífica. Indescritível. Acredito que não era pelo valor do dinheiro, mas sim pela diminuição do sacrifício da espera.
Quando eu abria a porta do banco, ouvi-o dizer: “É para a senhora comer algo...” Fiquei emocionado com a situação. Não somente pelo ato de doação, mas também pela simplicidade que o jovem expressava, na singeleza de sua vestimenta.
Albert Einstein formulou um pensamento que inicia assim “A vida é como jogar uma bola na parede: se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; se for jogada uma bola verde, ela voltará verde”. Isso mesmo: se jogarmos uma bola forte, ela nunca voltará fraca. A ordem natural de ação e reação. A vida não possui represas, ou compartimentos (manhã, tarde e noite); ela é fluxo corrente e contínuo. A vida se torna uma consequência de mágoas, perdões, amizades, inimizades, paixões, ódios e tanto mais que o leitor possa pensar.
Não consigo deixar de refletir sobre os conflitos armados que existem na atualidade. Um palestrante, o Prof. PhD. João Figueiredo, da Universidade Federal do Ceará declarou o seguinte: “Não se apaga fogo com fogo. A França deveria estar jogando pães e livros na Síria. Assim quebraríamos o ciclo vicioso”. Entretanto, também não julgo os franceses, pois a humanidade toda está totalmente desorientada.
O Renato Russo, do grupo Legião Urbana, assim escreveu: “Você culpa seus pais por tudo; isso é um absurdo, são crianças como você, o que você vai ser, quando você crescer”. Algumas vezes, aparece aquela impressão de estarmos perdidos no próprio mundo: o que fazer? Como decidir? O que meu pai faria? Surge, então, a sensação de que o tempo irá nos engolir. O chão parece sumir e os pensamentos ficam na superfície, na beira da casca; os olhos percorrem o vazio de ideias.
Contudo, independentemente da dúvida (interior), ainda existem pessoas que precisam de nossa fortaleza, da base concreta e do ombro companheiro. Hoje estamos inseguros, amanhã poderemos ser o exemplo. Hoje podemos culpar os nossos pais; amanhã beijaremos os pés de sua saudade.
Que a busca do bem e da bondade seja o Norte para a nossa consciência coletiva.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...