domingo, 13 de dezembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - Que país é esse? - 11 de dezembro de 2015



Que país é esse?
Dedicado aos 'velhos' e aos novos fãs do Legião Urbana

Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

"Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação!"
Há cerca de trinta anos, o cantor e compositor Renato Russo criava uma de sua letras mais importantes: "Que país é esse?". Uma literatura do passado, ainda muito atual.
Na quarta passada, a população de Santa Maria que foi até a UFSM conseguiu reviver o sonho de ter a presença daquele grupo Punk, do Planalto Central.
Na minha opinião, o  vocalista convidado, André Frateschi, surpreendeu positivamente ao conduzir a sua apresentação com uma qualidade ímpar. Ele se colocou - nem abaixo, nem acima - de Renato Russo. O vocalista, acompanhando de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, muito respeitosamente, ficou ladeado do inigualável Renato Russo.
Digo isso, pois a maestria da apresentação fez com que a plateia, na sua maioria, fosse ao delírio. Nós, uma geração Coca-Cola quase ultrapassada, ainda consegue explodir com aquela arte idealista (mais que ideológica), do grupo que produziu músicas que nos faziam sonhar com a modificação de nosso país.
A realidade é que cerca de trinta anos depois, o "Brasil ainda vai ficar rico, vamos faturar um milhão, quando vendermos todas as almas, dos nossos índios num leilão!".
Como acrescentou o Dado, durante o show desta semana: "O nosso ideal era que o Brasil suplantasse essa música, quando a construímos". Numa nação assoberbada de pessoas buscando tirar vantagens indevidas, principalmente os de maior influência e poder, infelizmente, ainda estamos com "sujeira para todo lado", num jogo de forças, em grupos antagônicos, que visualizam unicamente a obtenção ou manutenção do poder.
Caro leitor, nesse mundo opressor, a arte serve de uma fuga para a realidade atroz. Não uma escapatória covarde, mas uma libertação do que é efêmero. Afinal, os politiqueiros do Brasil e do mundo já estão mortos, sem saber, com os corpos em lenta putrefação. Para nós, vivos, só resta ficar sem a voz, de tanto gritar com o coração.
"Tenho andado distraído, impaciente e indeciso e ainda estou confuso, só que agora é diferente, estou tão tranquilo e tão contente... Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém..."
O Legião Urbana voltou.
O mundo não está mais perdido. Nem o tempo. Tempo perdido.


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