terça-feira, 27 de setembro de 2016

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 23 de setembro - Felicidade Líquida

Felicidade líquida

O sociólogo Zygmunt Bauman apresentou a teoria da “Modernidade Líquida”. Essa hipótese expõe que na atualidade os seres humanos estão vivendo, de modo geral, em um mundo sem forma, ausente de fronteiras. Para ele, vivemos numa época de “felicidade líquida”, onde parecer ser feliz é muito mais importante do que realmente ser. A nossa felicidade deve ser atestada pela quantidade de curtidas, comentários e compartilhamentos nas redes sociais. Nós temos que provar que somos felizes, não basta sermos! O filósofo Clóvis de Barros afirma que “a felicidade é muito mais conhecida pela sua ausência do que pela sua presença”. Não é à toa que vivemos em busca da felicidade, muitas vezes a colocando como objeto de disputa, de aquisição, consequência do campo econômico, social ou profissional. Não podemos romantizar a felicidade. Ela não deve ser colocada em um pedestal, no local inatingível. Também não é um objetivo único, que um dia iremos alcançar, ou algo que possamos comprar (carro, celular ou mansão).  Sempre haverá aquilo que não temos. A felicidade muda com o decorrer da própria vida. Aos 15 anos, quem sabe, dar um beijo seja o sinônimo de felicidade; aos 100 anos, ela poderá ser o não utilizar fraldas e conseguir ir ao banheiro sozinho. Portanto, alegrar-se com o que é seu, com o ínfimo, pequenas conquistas, sabendo que, como dizia Gandhi “(...) a felicidade não é um objetivo, mas o caminho até um objetivo”. A felicidade não é a felicidade: ela é uma catapora de nanicos momentos felizes, feito cicatrizes, no nosso enorme corpo melancólico. Enfim, a felicidade é estarmos vivos e saudáveis.


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