quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Artigo do Jornal A Razão - Ânsia de Vômito


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Há algum tempo – cerca de cinco anos atrás – confesso que cheguei a nutrir o sonho de ser um político brasileiro. Naquela época, adorava criar projetos e estava na presidência da Casa do Poeta de Santiago, liderando um grupo de escritores da “Terra dos Poetas”.

É claro que era um sonho natimorto. Eu não tinha, nem nunca tive, o menor pendor para a coisa. Só que demorei um pouco para perceber isso, pois estava contaminado pelas letras e pela chama fervorosa da paixão ideológica. 
Não percebia que eu amava o discurso e não a política partidária. Amava a macro política, aquela descrita por filósofos, educadores, sociólogos e cientistas políticos verdadeiros, que nada tem de parecido com a politicagem de parte da casta eleitoral brasileira. No decorrer dos anos, percebi algumas coisas... Entendi as diferenças entre o político e o intelectual.

Um intelectual (ou quem procura ser) não deveria ser filiado a qualquer partido político, direta ou indiretamente. Quando você sai da liberdade intelectiva, para ser conduzido por uma coletividade cercada de dogmas, deixa de ser totalmente livre. Nesse sentido, deve submeter-se ao que o grupo determina.

Um político não pode ser introspectivo e antipático, mesmo que seja. Ele tem que ser extrovertido, apertar todas as mãos e ter cuidado para não se perder no silêncio. Um candidato tem que ouvir os eleitores, gostar de conversas que não tenham finalidade e – mesmo que por um tempo determinado – dizer que está preocupado com o outro, mesmo que não esteja.

Um intelectual pode até falar ou escrever besteiras. Quem joga futebol, mesmo sendo Messi, erra passes e pisa na bola. Quem escreve, mesmo sendo Machado de Assis, comete erros de português e de entendimento (das letras e da vida). Mas o intelectual que se preze, na concepção mais bela, tem o amor pela palavra e a paixão pela ideia. 

Algumas vezes, um político tem que sorrir, mesmo estando triste. Tem que abanar, mesmo não conhecendo. Tem que olhar nos olhos, mesmo não enxergando. Tem que apoiar, mesmo não concordando. Tem que mentir, mesmo sabendo a verdade. Tem que massacrar, mesmo tendo pena. Tem que dormir, mesmo com insônia.

É claro que nem todos os políticos são assim! Possuo, verdadeiramente, uma admiração pelos políticos idealistas. No Brasil, eles são uma exceção para a regra; a que define que você seja ou idealista, ou político. A politicagem – essa me causa ânsia de vômito!


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